
Só 2,9% dos sites brasileiros são acessíveis. Descubra por que descrever imagens é essencial e como criar textos alternativos eficazes.
A acessibilidade digital deixou de ser um diferencial e passou a ser uma exigência, tanto ética quanto estratégica. A 5ª edição da pesquisa sobre a experiência de uso de sites por pessoas com deficiência, realizada pela BigDataCorp em parceria com o Web para Todos (WPT), revelou um dado alarmante: apenas 2,9% dos sites brasileiros foram…
O Que São as WCAG e Por Que Segui-las?
Para entender o cenário atual da acessibilidade web, é essencial conhecer as WCAG (Web Content Accessibility Guidelines), diretrizes desenvolvidas pelo W3C (World Wide Web Consortium). Elas organizam boas práticas em quatro princípios fundamentais:
- Perceptível: o conteúdo precisa ser detectável pelos sentidos (visão, audição, tato).
- Operável: deve ser navegável por todos, seja com teclado, mouse, lupa ou leitor de tela.
- Compreensível: a linguagem deve ser clara, simples e consistente.
- Robusto: o conteúdo deve funcionar em diversos navegadores, sistemas e tecnologias assistivas.
Seguir as WCAG é essencial para oferecer uma experiência de navegação equitativa, e sim, isso tem a ver com audiodescrição.
A Importância da Audiodescrição em Ambientes Digitais
Entre os critérios das WCAG, a audiodescrição aparece com destaque quando se trata de conteúdo visual. Ela é exigida em diferentes critérios:
1.1.1 Conteúdo não textual [A]: imagens devem ser descritas em texto.
1.2.3 Audiodescrição ou mídia alternativa (pré-gravado) [A]
1.2.5 Audiodescrição (pré-gravado) [AA]
1.2.7 Audiodescrição estendida (pré-gravado) [AAA]
Fazer audiodescrição de imagens vai além de atender a critérios técnicos. É uma questão de direito à informação. Descrever imagens de forma adequada garante que pessoas com deficiência visual possam compreender e interagir com o mesmo conteúdo que os demais usuários.
Conheça aqui alguns exemplos:
Exemplo 1: Em uma página institucional, a imagem de um grupo celebrando uma conquista não deve ser ignorada. Descrevê-la revela o contexto humano da empresa.
Exemplo 2: Em um blog de turismo, descrever uma paisagem não é apenas relevante, é fundamental para permitir que todos compartilhem da mesma experiência sensorial, ainda que por outros caminhos.
Como Criar Um Texto Alternativo Eficiente Para Imagens
Um bom texto alternativo não é automático. É preciso considerar o conteúdo da imagem, o contexto da página e o que aquela imagem quer comunicar. Além de levar em conta as palavras-chave do que se pretende transmitir ou que esteja alinhada com o texto de apoio.
Aqui vão algumas dicas para escrever textos alternativos úteis e inclusivos:
Seja objetivo e descritivo: descreva o que é relevante. Evite palavras como “imagem de” ou “foto de”.
Considere o propósito da imagem: se a imagem é decorativa, ela pode ser marcada como tal no código. Se tem função informativa, ela precisa ser descrita.
Adapte ao contexto: a mesma imagem pode ter descrições diferentes, dependendo da página onde está inserida.
Esteja atento: use aproximadamente 129 caracteres e não se esqueça do ponto final.
exemplo prático:
📷 Imagem: “Duas mulheres sorrindo, sentadas em uma cafeteria, segurando xícaras de café. Ao fundo, uma estante com livros.”
✔ Alt text: “Duas mulheres sorrindo enquanto tomam café em uma cafeteria com livros ao fundo.”
Inteligência Artificial e a Geração Automática de Descrições

O uso da inteligência artificial na geração automática de descrições nos textos alternativos está transformando o cenário digital. De 2022 a 2024, o número de imagens com descrição em sites brasileiros saltou de 15,8% para 42,8%, impulsionado por ferramentas que criam textos descritivos automaticamente.
Essa inovação traz benefícios claros:
Criação rápida e em grande escala;
Aplicação imediata em grandes acervos de imagens;
Funcionamento contínuo, sem interrupções.
Mas também impõe desafios importantes:
As descrições nem sempre captam o contexto ou a intenção da imagem;
Há risco de descrições incorretas ou genéricas demais;
A ausência de curadoria humana pode comprometer a experiência.
Por isso, mesmo com o apoio da IA, a validação por especialistas em acessibilidade e o envolvimento de pessoas com deficiência visual continua essencial, devido também a estruturas e alucinações.
Conclusão: A Imagem Também Precisa Ser Acessível
A acessibilidade digital não está apenas no código. Ela se expressa nos detalhes, como a descrição de uma imagem que permite que alguém imagine, compreenda e se conecte com o conteúdo apresentado.
Ao descrever imagens com atenção e sensibilidade, incluímos pessoas. E quando fazemos isso de forma contínua e estratégica, construímos um ambiente digital mais justo e acolhedor para todos, além de conseguir ranquear seu conteúdo para um bom posicionamento nas plataformas digitais de busca.
Cada imagem sem descrição é uma oportunidade perdida de incluir. E cada imagem bem descrita é um passo a mais em direção a uma web verdadeiramente humana. Se você quer aprender mais, aplicar boas práticas e transformar imagens em experiências acessíveis de verdade, conheça a Gangorra Audiodescrição para se comunicar com todos.





